Desabafo – Olá, 2021

2020 foi um ano atípico, para dizer o mínimo. Suas raízes obscuras de morte, medo e confinamento se expandiram até a virada do ano, ontem. Não senti clima de comemoração. Não senti a chave virando. Parecia mais do mesmo.

Enfim chegamos a 2021. De modo geral, não queremos que o tempo passe, a menos que a tempestade esteja densa demais, impedindo uma visão clara do futuro. A verdade é que 2021 me assusta também. Já ouço os seus trovões. Fortes. Austeros.

2021 será o ano de defesa do meu mestrado, e apesar de toda a empolgação, o medo de dar tudo errado é enorme. Neste ano, vou lançar o meu primeiro livro de poesia, e o medo também está ativo nesse quesito.

É difícil ter um sonho grande e desafiador como o de ser uma escritora reconhecida. Na verdade, quase ninguém leva a sério quando eu digo: sou escritora. Será que sou mesmo?

Depois desses parágrafos, posso concluir que 2021 está me assustando. Há uma esperança aqui dentro, mas ela não brilha tanto quanto o sol, e provavelmente não superará a chuva. Mas seguimos tentando e tentando, afinal… O que mais podemos fazer?

O texto saiu mais melancólico do que o previsto, mas as palavras saem quando devem sair. Às vezes, os filtros devem ser postos à parte. A reescrita tira a beleza das vísceras.

Leitor e leitora, desejo a você um excelente 2021. Que a vacina saia logo e que vejamos dias melhores. Que sejamos melhores – um esforço que precisamos fazer todos os dias.

2 Comments

  1. Texto melancólico, mas muito bonito.
    Quanto a ser uma escritora famosa, estamos no Brasil, nem se vc ganhar um Jabuti, vc seria reconhecida. Para ser escritor e famoso no país, acho que tem que estar no programa da Fátima Bernardes…
    Agora, aproveita que não é famosa ainda! A maior dádiva que temos, ao não seremos reconhecidos, é não ter obrigação de acertar. Isso é libertador.

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  2. Texto muito verdadeiro.
    Agora, quanto a ser famosa, vc está no Brasil. Nem se vc ganhasse um Jabuti, seria famosa.
    Mas não veja isso pelo lado ruim. A vantagem de não ser reconhecido é não ter obrigação de acertar… E isso é libertador.

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