Crônica – A nostalgia é um poço

Às vezes, o título não é um resumo do texto, ou uma estratégia discursiva que convida o leitor a mergulhar no texto. Neste caso, o título faz parte do texto. A nostalgia é um poço. Aproveito para lembrar de quando escrevi pela primeira vez. Chovia como chove hoje. Eu tinha sentimentos mais brandos e cálidos a respeito do significava viver. Eu bebia menos café. Cantava mais música, amava mais pessoas. Dez anos se passaram, quase. Mas estou me afastando demais do título…

O título também pode ser uma âncora. Ele resgata os escritores ao escrito. Isso me faz pensar em quando eu andei de barco pela primeira. Na verdade, era um cruzeiro. As pessoas andavam com a cabeça erguida. Descascavam banana com garfo e faca. Não escrevi nenhum dia. A diversão não permitia. 

Recordo também da primeira vez que comi torta de banana. Engraçado como tem tanta palavra para denotar lembrança. Lembrar. Relembrar. Rememorar. Memória. Esquecer. Mas não me esqueço do dia que minha colega abaixou as minhas calças na frente de todo mundo na escola. Hoje ela está grávida. Será que ela também se lembra?

Talvez o mais interessante sobre a lembrança é que ela serve também para presentes. “Não liga não, é só uma lembrancinha”. Lembrei de você e te comprei um presente. Uma vez, ganhei uma caixa da Hello Kitty com vários materiais de escrever e nem era escritora ainda! Diziam que a Hello Kitty era do diabo. Engraçado né. Também joguei fora as minhas cartinhas de Yu-Gi-Oh. O diabo se manisfestava de formas diferentes. Minha cartinha preferida era a do mundo da fantasia. Hoje já não sei mais o que é fantasiar. Exceto se for Halloween. Que também é do diabo. Sou eu também? 

Novamente, estou fugindo demais do tema (ou será do título?). O título é uma metáfora. Lembro-me de aprender sobre figuras de linguagem e não entender nada. Mais perdida que grão de milho em um oceano. Xinguei o professor. Hoje me tornei professora. Hoje ensino o que é figura de linguagem. Desculpa, professor.

Mas vamos nos ater ao que importa: o título. Vamos fazer uma continuação sintática: a nostalgia é um poço que… Ah, mas espera! Lembrei da vez que encontrei um poço no sítio lá em Caetés… 

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